Aos 13 anos, assisti com minha irmã caçula um filme (Kidco, de 1984, se puder assista!) sobre 4 crianças que, para ganhar dinheiro, resolvem vender fertilizante feito com o estrume dos cavalos da fazenda em que moram. Depois de inspirados pela história compramos sementes, alguns vasos e usamos a horta do quintal para plantar flores que venderíamos à vizinhança. As férias chegaram e as flores continuaram por lá, mas o espírito empreendedor bateu e ficou!

Hoje são meus filhos que brincam de mercadinho, loja, lanchonete… E por mais que eles sigam por caminhos diferentes do empreendedorismo, acredito que é nesta idade que desenvolvemos boa parte de nossa visão de negócios! Mesmo sem entender muito sobre o valor do dinheiro e do trabalho as ideias uma criança percorre os mesmos passos que um empreendedor para montar um negócio de brincadeira.

Pesquisando um pouco sobre empreendedorismo infantil encontrei a história de algumas crianças que levaram adiante o que começou como brincadeira. O mais interessante é ver que esta nova geração faz negócios de maneira muito mais consciente e muito mais preocupada com impacto positivo que nós, adultos.

Mikaila Ulmer – A Rainha da Limonada

Quando a brincadeira vira negócio - Mikaila Ulmer vende seus produtos na Whole Foods

Foto: Rodolfo Gonzalez—Austin American-Statesman/AP

 

Quando tinha apenas 4 anos e meio, e incentivada por seus pais e professores, Mikaila Ulmer se inscreveu em dois concursos de empreendedorismo. A menina levou duas picadas de abelhas na mesma semana e para minimizar o pavor que passou a sentir dos insetos sua vó lhe deu de presente um livro com uma receita de limonada de linhaça, sua bebida favorita. Mikaila fez uma pesquisa e descobriu que, apesar de muito importantes para o ecossistema, as abelhas estão em risco de extinção (sim, e isso é muito sério!). A garotinha decidiu então que seu produto deveria beneficiar as abelhas e assim surgiu a Me & the Bees Lemonade, uma linha de bebidas adoçadas quase que exclusivamente com mel de apicultores locais.

Mikaila, que ao invés de CEO prefere ser chamada de “abelha rainha”, doa parte das vendas para instituições que promovam a cultura sustentável de abelhas. As vendas começaram um uma pizzaria de sua cidade em 2009. Pouco tempo depois ela demonstrava seus produtos em uma loja local da Whole Foods, onde fazia workshops sobre a preservação das abelhas. Mikaila foi convidada a vender seus produtos na loja, que depois de sua participação no programa Shark Tank passou a vende-los em todas as suas filiais na região sudoeste dos Estados Unidos.

Para esta incrível menina a parte mais legal em ser uma criança empreendedora é encontrar pessoas, participar de eventos e principalmente ajudar a salvar as abelhas! Como conselho para quem está planejando empreender ela deixa um recado… “Faça algo para resolver os problemas do mundo. Não comece um negócio para só ganhar um monte de dinheiro”. Demais, não?

Erik Finman – O “aluno problemático” que quer revolucionar a educação

Quando a brincadeira vira negócio - Erik Finman no TEDx Teen

Foto: BusinessInsider.com

Quando criança, Erik pulou de escola em escola e constantemente sofria bullying, físico e psicológico. A gota d’água foi quando um professor disse que o menino deveria largar a escola e arrumar um emprego no McDonald’s porque ele nunca daria certo em outra coisa melhor… Erik de fato largou a escola e foi estudar em casa, onde desenvolveu seu próprio ambiente de aprendizagem digital usando a internet.

Botangle (da mistura de robotics com angle) tem a missão de substituir o sistema de ensino, dando a oportunidade para crianças aprenderem em casa. Quando Erik tinha 15 anos deu um passo além em seu projeto e lançou um serviço de tutoria com vídeo-aulas e conteúdo online. O dinheiro para lançar sua startup, cerca de 100 mil dólares, veio de investimentos que ele fez em bitcoins! Hoje milionário, Erik coordena um time de programadores para o Botangle e diversos outros projetos inovadores!

Bella Weens – Paixão por bijuterias e por inspirar

Quando a brincadeira vira negócio - Bella Weens, fundadora da Origami Owl

Foto: Forbes.com

Bella Weens transformou sua paixão por bijuterias em negócio quando descobriu que seus pais nunca dariam um carro para ela. Ela tinha 14 anos e sua meta era arrecadar o suficiente para comprar um automóvel em dois anos. A adolescente usou 350 dólares que economizou trabalhando como babá e mais 350 dólares que ganhou dos pais para começar o negócio. Três anos após sua fundação, em 2010, a Origami Owl faturou 250 milhões de dólares e tinha 350 funcionários!

Na loja online os clientes podem customizar suas bijuterias misturando correntes, berloques e pingentes. Hoje, ao lado de sua mãe que é CEO da empresa, a jovem milionária coordena uma equipe de centenas de colaboradores além de uma equipe de designers de joias espalhados por todo o mundo.

Nem tudo são flores no mundo dos negócios e a empresa vem tentando se adaptar a uma crise recente. Mesmo assim, Bella deu início à Iniciativa Owlettes, um programa de mentoria para jovens empreendedores de 12 a 17 anos com lições que vão da prática dos negócios à liderança. Inspirar outras crianças a empreender é para ela uma das melhores partes de sua jornada. A jovem empresária aconselha: cerque-se de pessoas que acreditem em você, siga seu coração e lembre-se de que você nunca é tão jovem que não possa alcançar um grande objetivo.

Camilo Batiston Prado

Texto de Camilo Batiston Prado

Camilo é publicitário e desde 2010 se dedica à comunicação na web. Depois de 8 anos trabalhando na indústria fundou com outros sócios o Villa Coworking. Hoje, além da Villa, trabalha em projetos de comunicação para empreendedores e pequenas empresas.